Construção, reforma, instalação e manutenção moram na classe 37, a mesma que protege quem levanta prédio e quem conserta telhado. O furo mais comum é achar que obra entregue já é marca protegida.
Uma construtora consolida o nome ao longo de anos de obra. Prédio depois de prédio, sempre o mesmo letreiro no canteiro. Nunca registrou a marca, "todo mundo na cidade conhece", diziam. Não precisava de papel.
Aí vem o primeiro empreendimento com marca própria, o lançamento que ia virar a virada de chave do negócio. Antes de fechar a campanha, alguém confere no INPI se o nome está livre. E não está: outra construtora, em outro estado, registrou o mesmo nome na classe 37 três anos antes.
Obra entregue não é marca protegida. No setor da construção, o nome costuma ser a única garantia que o cliente vê antes do prédio existir, e é justamente essa garantia que fica exposta quando a marca nunca foi registrada.
O que a classe 37 protege
Em uma linha: construção, reparo e instalação, o serviço de erguer, consertar ou instalar alguma coisa, não o produto em si. No detalhe, ela cobre atividades como:
- Construção civil: obras residenciais e comerciais, construção naval, construção de fábricas, pavimentação, demolição e supervisão de obra.
- Reformas e manutenção predial: pintura, alvenaria, encanamento, elétrica, impermeabilização, cobertura de telhado, limpeza de fachada.
- Instalação e reparo de equipamentos: ar-condicionado, aquecimento, elevadores, alarmes, computadores, máquinas de escritório.
- Manutenção automotiva: oficinas, lavagem, troca de bateria, recauchutagem de pneus, recarga de veículo elétrico.
- Serviços de limpeza e conservação: lavanderia, limpeza de interiores, desinfecção, dedetização fora do contexto agrícola.
A classe 37 protege quem executa: quem constrói, instala ou conserta. Quem só vende os materiais ou os equipamentos, sem prestar o serviço, normalmente está em outra classe.
Quem normalmente mora na 37
- Construtoras e incorporadoras, mesmo quando o produto final é um imóvel.
- Empreiteiras e empresas de reforma, de pequeno porte a grandes obras.
- Instaladores e técnicos (elétrica, hidráulica, climatização, telefonia, segurança).
- Oficinas mecânicas e centros automotivos.
- Lavanderias, empresas de limpeza predial e de dedetização.
O erro que mais custa caro: achar que a obra entregue é a marca protegida
"A gente é conhecido na região, todo mundo sabe quem construiu aquele prédio." É esse tipo de raciocínio que deixa a classe 37 aberta para quem chegar primeiro no INPI.
Reputação de rua não é registro. Enquanto a construtora espera o nome "se firmar sozinho", qualquer outra empresa (em qualquer estado do país) pode protocolar o mesmo nome na 37 e sair na frente. Quando isso acontece, quem construiu a reputação é quem corre atrás, e correr atrás depois que a marca já está registrada em nome de outro custa muito mais do que o pedido original custaria.
Tem também o erro inverso: registrar só a construção (37) e esquecer que o negócio já vende também administração de obra ou consultoria imobiliária, que caminham para outras classes, como a 35. Cada frente de atuação pede sua própria análise, e vale entender quanto custa registrar uma marca antes de decidir quantas classes proteger de uma vez.
Como saber se a 37 é a classe da sua marca
Depende da atividade real prestada (construir, instalar, reparar) e não do produto que resulta dela. E antes de protocolar, existe uma pergunta anterior: já tem alguém com nome parecido registrado na 37 ou nas classes vizinhas do setor?
É isso que a busca de anterioridade e o laudo de viabilidade respondem antes do primeiro real gasto com um pedido que pode ser negado. A escolha da classe deixa de ser suposição e vira decisão baseada em fatos, não em "aqui todo mundo conhece".
Construiu o nome na obra. Já registrou a marca?
O laudo de viabilidade cruza sua marca com mais de 2.000 casos já analisados e devolve um parecer de cerca de 50 páginas sobre as chances reais de registro na classe 37.

