Classe 9 do INPI: Aplicativos, eletrônicos e equipamentos
Produtos típicos da Classe 9 da Classificação de Nice: aplicativos, eletrônicos e equipamentos.

Classe 9 INPI: o que ela protege (e o que todo mundo erra)

Classe 9 do INPI: aplicativos, software, eletrônicos e equipamentos. A diferença entre app como produto (9) e desenvolvimento como serviço (42) explicada.

Atualizado em 08 jul 2026·4 min de leitura

É a classe mais densa do INPI, e a que mais confunde quem lança um app achando que "tecnologia" é só uma palavra.

Uma startup lança o app. O nome nasce ali, testado em cada tela, cada notificação, cada review na loja. Na hora de registrar, alguém orienta: "põe na 42, que é tecnologia". O certificado sai, a rodada de investimento segue, todo mundo respira aliviado.

Meses depois, outro app aparece na loja com nome quase igual e a defesa não segura. Porque classe 42 é para quem presta o serviço de desenvolver software para terceiros. O aplicativo em si, o produto que o usuário baixa e usa no celular, mora na classe 9. E lá o nome já tinha dono.

A classe 9 é a mais densa das 45 classes da Classificação de Nice (NCL): quase mil especificações pré-aprovadas pelo INPI, do parafuso elétrico ao robô humanoide. É onde app, software, eletrônico e equipamento de segurança disputam o mesmo território. E é exatamente essa densidade que faz tanta marca errar a classe.

O que a classe 9 protege

Em uma linha: produtos, não serviços. No detalhe, ela cobre famílias bem distintas:

  • Software e aplicativos: programas de computador gravados ou baixáveis, aplicativos para celular, jogos digitais, plataformas de software.
  • Eletrônicos de consumo: smartphones, tablets, laptops, smartwatches, fones de ouvido, câmeras.
  • Hardware e periféricos: processadores, placas de circuito, mouses, teclados, carregadores, cabos.
  • Instrumentos de medição e científicos: balanças, termômetros (fora de uso médico), medidores de todo tipo.
  • Equipamentos de proteção e segurança: capacetes, coletes, óculos de proteção, alarmes, extintores.

Onde app vira produto (9) e onde vira serviço (42)

Essa é a divisão que mais gera confusão. O aplicativo, o arquivo baixável, o produto que fica no bolso do usuário, está na classe 9. Já desenvolver software sob encomenda, hospedar aplicações, prestar consultoria em TI é atividade de serviço, e normalmente aponta para a classe 42.

Uma fintech que lança seu próprio app de pagamentos precisa da 9 para proteger o produto. Se ela também vende a própria tecnologia como serviço para outras empresas (white label, licenciamento de plataforma), aí entra a 42 também. Não é "ou": depende do que o negócio realmente faz, e às vezes são os dois.

Quem normalmente mora na 9

  • Startups e scale-ups com aplicativo próprio, mobile ou desktop.
  • Fabricantes de eletrônicos (de wearables a equipamentos industriais).
  • Empresas de hardware (periféricos, componentes, acessórios de computador).
  • Fabricantes de EPI e equipamentos de segurança (capacetes, óculos, alarmes).
  • Desenvolvedoras de software que vendem o programa como produto licenciado, não como serviço sob demanda.

Por que essa classe concentra tanto conflito

Quase mil especificações significa muita gente disputando um espaço pequeno de nomes possíveis. Some a isso um hábito comum: quem lança "tecnologia" tende a registrar na 42 por reflexo, sem checar se o produto em si (o app, o dispositivo, o software) não deveria estar também na 9.

O resultado é previsível: o certificado existe, mas protege a atividade errada. A marca fica exposta exatamente onde ela nasceu, no produto que o cliente baixa, compra ou usa.

Como saber se a 9 é a classe certa

Depende do que a empresa efetivamente lança ao mercado: um produto (aplicativo, dispositivo, software embarcado) ou um serviço (desenvolvimento, consultoria, hospedagem). Muitas vezes as duas coisas ao mesmo tempo, e cada uma pede sua classe.

Antes de decidir, vale checar se já existe alguém parecido demais registrado na 9 ou nas classes vizinhas. É esse cruzamento que o laudo de viabilidade resolve antes do protocolo, não depois que a marca já está no ar e o conflito aparece. Vale lembrar também: quem revende eletrônicos de terceiros normalmente precisa da classe 35 além da 9, e antes de protocolar dá para simular quanto custa registrar em cada classe.

Seu app está protegido como produto, ou só como "tecnologia"?

O laudo de viabilidade cruza sua marca com mais de 2.000 registros já analisados e devolve um parecer de ~50 páginas antes de você decidir a classe.

Perguntas frequentes

O que a classe 9 do INPI protege?
A classe 9 cobre produtos como aplicativos e software baixáveis, eletrônicos de consumo (smartphones, wearables, câmeras), hardware e periféricos, instrumentos de medição e equipamentos de proteção e segurança.
Qual a diferença entre a classe 9 e a classe 42 para tecnologia?
A classe 9 protege o produto em si: o app que o usuário baixa, o software licenciado, o dispositivo. A classe 42 protege o serviço de desenvolver software para terceiros, hospedar aplicações ou prestar consultoria em TI. Quem faz as duas coisas costuma precisar das duas classes.
Uma startup com aplicativo próprio precisa registrar na classe 9?
Sim. O aplicativo como produto baixável mora na classe 9. Registrar apenas na 42 protege a atividade de desenvolvimento, não o produto que o usuário usa. Essa confusão deixa marcas expostas exatamente onde nasceram.

A sua marca pode ser registrada?

O laudo de viabilidade analisa a chance real do seu nome antes de você pagar a taxa do INPI. Mais de 2.000 marcas analisadas, cerca de 50 páginas de parecer.

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