Antes de qualquer taxa, antes de escolher classe, antes de abrir o pedido, existe um passo que decide se o resto vale a pena: descobrir se o nome já tem dono. É a busca de anterioridade. Quem pula essa etapa protocola no escuro, e a taxa do INPI não volta se o pedido for negado.
Onde se faz a busca
O INPI mantém uma base pública e gratuita de marcas, a Busca Web, acessível no site do órgão. Você digita o nome pretendido e a classe, e o sistema devolve os pedidos e registros que contêm aquele termo. É de graça, é oficial, e é o ponto de partida certo. Ninguém deveria pagar taxa nenhuma sem antes olhar essa base.
O que a busca do sistema mostra
A Busca Web pega o óbvio: nomes idênticos ou que contêm exatamente o termo digitado, dentro da classe que você filtrou. Se alguém já registrou a sua marca com a mesma grafia, ela aparece. Esse é o filtro grosso, e ele já evita o erro mais bobo: tentar registrar um nome que qualquer um veria que está ocupado.
O que ela deixa passar (e é o que mais indefere)
Aqui está o problema que a busca simples não resolve. O exame do INPI não procura só grafia idêntica. Ele avalia:
- Semelhança fonética — nomes que se escrevem diferente mas soam igual ("Fhox" e "Fox", "Kasa" e "Casa"). A busca por texto não cruza isso.
- Semelhança gráfica — logos e escritas parecidas o bastante para confundir o consumidor.
- Proximidade entre ramos — uma marca registrada numa classe pode barrar a sua em classe vizinha, se os produtos ou serviços puderem ser confundidos. A busca filtrada por uma classe só não enxerga a classe do lado.
É por isso que um nome que "aparece livre" na Busca Web ainda é reprovado meses depois, por colidência com algo que a pessoa nunca viu porque a busca não mostrou.
A diferença entre "não achei" e "está livre"
"Não achei nada na busca" e "o nome está livre para registro" são frases diferentes. A primeira é o que o sistema do INPI te diz. A segunda exige cruzar fonética, grafia e ramos próximos, o trabalho que o examinador vai fazer mais tarde, quando a taxa já foi paga.
O laudo de viabilidade faz esse cruzamento antes do protocolo: em vez de só listar nomes idênticos, ele analisa o cenário completo e devolve a chance real de aprovação. É a diferença entre torcer e saber. E é o que separa quem protocola informado de quem descobre o problema depois de pagar.

