Um engenheiro químico monta a marca do próprio fertilizante depois de dois anos vendendo a granel para agricultores da região. Chega na hora de registrar no INPI, abre a lista de 45 classes e trava. Fertilizante é "agricultura"? É "produto químico"? E o adesivo industrial que ele também fabrica, entra junto? A dúvida é legítima, porque a classe 1 é uma das mais amplas e menos intuitivas da Classificação de Nice.
O que a classe 1 protege
A classe 1 cobre os produtos químicos de base, aqueles que servem de matéria-prima ou insumo para fabricar outras coisas. O cabeçalho oficial do INPI, alinhado à Nice, protege produtos químicos para uso na indústria, na ciência, na fotografia, na agricultura, na horticultura e na silvicultura.
Na prática, isso inclui famílias bem concretas: resinas artificiais não processadas e plásticos em estado bruto, composições para extinção e prevenção de incêndio, preparações para têmpera e solda, substâncias para curtir peles e couros, adesivos para uso industrial, massas de calafetar e outros enchimentos em pasta, composto, adubos e fertilizantes, além de preparações biológicas para uso na indústria e na ciência. Também entram itens que surpreendem: papel sensibilizado para fotografia, sal para conservação que não seja de alimentos, e aditivos usados na indústria de alimentos como pectina e enzimas.
O fio condutor é o uso. Se o produto químico serve para fabricar, tratar ou processar outra coisa, o lugar dele tende a ser a classe 1.
Quem precisa da classe 1
Fabricantes de fertilizantes e adubos, indústrias químicas, produtores de resinas e plásticos crus, empresas de adesivos e colas industriais, fornecedores de aditivos alimentícios e de cosméticos, laboratórios que produzem reagentes e preparações biológicas, fabricantes de composições contra incêndio. Se a sua marca vai num produto que é insumo de outra indústria, a classe 1 provavelmente é o seu núcleo.
O erro que manda agrotóxico para a classe errada
Aqui está a confusão que mais custa dinheiro. Fertilizante é classe 1, mas fungicida, herbicida, pesticida e inseticida não são. Eles vão para a classe 5, porque a Nice os trata como produtos com função de proteção, próximos de farmacêuticos e veterinários. Muita gente que fabrica "linha agrícola" registra tudo na classe 1 e descobre tarde que o defensivo ficou de fora.
Outra armadilha é o adesivo. Cola industrial é classe 1, cola de papelaria é classe 16, e resina natural bruta ou tinta é classe 2. E se você fabrica o produto mas também tem uma loja ou distribuidora que revende itens de terceiros, a atividade de comércio não mora na classe 1, mora na classe 35. Fabricar e revender são fatos diferentes para o INPI, e cada um exige sua classe.
Quanto custa registrar na classe 1
A taxa do INPI é R$ 440 com desconto de 50% (para MEI, ME, EPP e pessoa física) ou R$ 880 no valor cheio, no pagamento unificado que vigora desde 20/09/2025. Esse valor cobre exame, certificado e os primeiros 10 anos de vigência. O registro vale 10 anos e é renovável por períodos iguais. O prazo médio de análise fica entre 8 e 14 meses. Um detalhe que pesa: a taxa não volta se o pedido for negado. Veja o passo a passo em quanto custa registrar uma marca.
Antes do protocolo, cheque a viabilidade
A classe 1 é ampla, e essa amplitude engana. Registrar fertilizante na classe 1 e esquecer o defensivo na classe 5, ou colidir com uma marca química já existente, é o tipo de erro que só aparece meses depois, com a taxa já perdida. Antes de protocolar, vale um laudo de viabilidade: ele checa se a sua marca está livre na classe certa e mapeia se você precisa de mais de uma classe para cobrir toda a sua operação.

