João montou uma fábrica de máquinas de embalagem no interior de São Paulo. Levou dois anos para acertar o maquinário, contratou uma equipe, batizou a empresa e mandou fazer a logometragem. Na hora de proteger o nome no INPI, travou na primeira pergunta do formulário: em qual classe isso entra? Ele fabrica máquinas. Parece óbvio que é a classe 7. Mas óbvio, no INPI, quase nunca é seguro.
O que a classe 7 protege
A classe 7 é a casa das máquinas, máquinas-ferramentas, ferramentas elétricas e motores, com uma ressalva que define quase tudo: exceto para veículos terrestres. O título oficial no INPI cobre máquinas, máquinas-ferramentas e ferramentas elétricas; motores, salvo os de veículos terrestres; engates de máquinas e componentes de transmissão, também salvo os de veículos terrestres; instrumentos agrícolas que não sejam ferramentas manuais movidas a braço; chocadeiras; e máquinas de autosserviço, incluindo máquinas de venda automática.
Na prática, é onde entram equipamentos industriais como tornos, prensas, máquinas de embalagem, máquinas de costura, geradores de eletricidade, bombas, compressores, robôs industriais, motores elétricos e a diesel para uso industrial ou náutico, além de furadeiras, serras e lixadeiras elétricas. Máquinas de lavar louça e de lavar roupa também estão aqui, assim como impressoras 3D e chocadeiras avícolas. É uma classe de fabricante, de indústria, de quem coloca o produto físico com peça mecânica no mercado.
Quem precisa da classe 7
Precisa dela quem fabrica ou coloca o nome em máquinas e equipamentos com componente mecânico ou motor. Indústria metalúrgica, fabricante de máquinas agrícolas motorizadas, de linha de envase, de compressores, de bombas hidráulicas, de ferramentas elétricas, de máquinas de venda automática. Se o seu produto liga na tomada e faz um trabalho pesado, ou tem um motor que não vai num carro, a classe 7 quase sempre está no seu pedido.
O erro que confunde a classe 7 com a 12
A confusão clássica é motor. A classe 7 protege motores exceto para veículos terrestres. O motor do seu carro, da sua moto, do caminhão, e as peças de transmissão desses veículos, tudo isso mora na classe 12. Muita marca de autopeças protocola na 7 achando que motor é motor, e registra na classe errada. Se o seu motor vai num barco, num gerador ou numa esteira industrial, é classe 7. Se vai num veículo que anda no chão, é classe 12.
Há também a fronteira com as ferramentas manuais. Uma enxada, uma tesoura de poda ou uma chave de fenda operadas só com a força do braço não são classe 7, são classe 8. A classe 7 só entra quando a ferramenta é elétrica ou a máquina tem motor.
E tem a diferença entre fabricar e vender. Se João fabrica as máquinas, é classe 7. Se ele apenas revende máquinas de outros fabricantes numa loja ou marketplace, essa atividade comercial é a classe 35. Fabricante que também instala e mantém os equipamentos costuma somar a classe 37.
Quanto custa registrar na classe 7
A taxa oficial do INPI é de R$ 440 por classe com o desconto de 50%, que vale para MEI, ME, EPP e pessoa física, ou R$ 880 no valor cheio. É o pagamento unificado que vigora desde 20 de setembro de 2025 e cobre o exame, o certificado e os primeiros 10 anos de proteção. O registro dura 10 anos e é renovável por períodos iguais. O prazo médio de análise fica entre 8 e 14 meses. Se o pedido for negado, a taxa não volta, e por isso vale medir antes. Veja quanto custa registrar uma marca para o cálculo completo por número de classes.
Antes do protocolo, meça a viabilidade
A classe 7 é ampla, mas suas bordas com a 12, a 8 e a 35 derrubam pedido. Antes de pagar a taxa que não volta, o laudo de viabilidade verifica se a sua marca está livre nas classes certas para o que você realmente fabrica e vende. É a diferença entre proteger de verdade e descobrir, 12 meses depois, que registrou no lugar errado.

