Um cuteleiro monta o site da sua faca artesanal, fotografa a lâmina no couro, e trava na hora de registrar a marca. São 45 classes na Classificação de Nice, e a dúvida é honesta: faca é "utensílio de cozinha" ou "ferramenta"? A resposta muda em que classe a marca dele vai ficar protegida, e registrar na errada é dinheiro que não volta.
O que a classe 8 protege
O título oficial da classe 8 na Classificação de Nice não é só "ferramentas e instrumentos manuais". O cabeçalho completo é mais amplo: ferramentas e instrumentos manuais acionados manualmente, cutelaria, armas brancas (exceto armas de fogo) e aparelhos de barbear. A palavra-chave é manual: o que vale aqui é acionado por força muscular, não por motor.
Na prática, a classe 8 cobre famílias como:
- Ferramentas manuais de oficina e construção: martelos, formões, chaves de fenda, alicates, serras manuais, limas.
- Ferramentas manuais de jardinagem e agricultura: enxadas, tesouras de poda, pás, foices.
- Cutelaria de mesa: facas, garfos, colheres, faqueiros, inclusive em metais preciosos.
- Armas brancas que não são de fogo: espadas, baionetas, canivetes.
- Instrumentos de cuidado pessoal, elétricos ou não: aparelhos de barbear, alicates e tesouras de manicure, pinças, cortadores de unha, aparelhos para encaracolar cabelo, instrumentos de tatuagem.
- Cabos para ferramentas manuais e bombas acionadas à mão.
Repare no detalhe do cuteleiro: faca de mesa é classe 8, sem discussão. É cutelaria manual.
Quem precisa da classe 8
Precisa dela quem fabrica ou coloca a marca em: cutelaria e facas artesanais, ferramentas manuais e de jardim, alicates e itens de barbearia e manicure, faqueiros, canivetes e afins. Cuteleiros, fábricas de ferramentas, marcas de utensílios de barbear, ateliês de facas gourmet, todos moram aqui.
O erro que custa caro: manual vs elétrico
A confusão mais cara da classe 8 é com a classe 7. A régua é simples e implacável: se a ferramenta é acionada por força muscular, é classe 8; se tem motor ou liga na tomada, é classe 7. Um serrote é 8. Uma serra elétrica é 7. Um alicate comum é 8. Uma parafusadeira é 7.
Marcas que vendem tanto a versão manual quanto a motorizada de um produto muitas vezes precisam das duas classes, e cada classe é uma taxa. Outra fronteira frequente: aparelhos elétricos de cuidado pessoal que são mais "eletrônico" do que "instrumento" podem tocar a classe 9. E quem só revende ferramentas de terceiros no varejo, sem fabricar, na verdade presta serviço de comércio, que é classe 35. Fabricar e vender não são a mesma coisa aos olhos do INPI.
Quanto custa registrar na classe 8
O valor é o mesmo para qualquer classe. Desde o pagamento unificado que vigora a partir de 20/09/2025, a taxa oficial do INPI por classe é de R$ 440 com desconto de 50% para quem tem direito (MEI, ME, EPP e pessoa física) ou R$ 880 no valor cheio. Essa taxa única já cobre exame, certificado e os primeiros 10 anos de vigência.
O prazo médio de análise fica entre 8 e 14 meses. O registro vale por 10 anos e é renovável indefinidamente. Um ponto que muita gente ignora: se o pedido for negado, a taxa não volta. Por isso registrar na classe errada, ou sobre uma marca que já esbarra em outra, é prejuízo puro. Veja mais em quanto custa registrar uma marca.
Antes do protocolo, confira o caminho
Se você vai proteger cutelaria, ferramentas ou aparelhos de barbear, a classe 8 quase sempre é o núcleo, mas raramente é a história toda. A pergunta certa antes de pagar é: minha marca está livre nesta classe, e eu preciso de mais de uma? É exatamente isso que o laudo de viabilidade responde antes do protocolo, cruzando o que você vende com a Classificação de Nice e com o que já existe registrado no INPI. Barato descobrir antes. Caro descobrir depois da negativa.

